Quase quatro anos depois do último confronto, americano eneacampeão mundial e tri da etapa de Teahupoo vence rival pela terceira vez
Na bateria com os dois maiores campeões do mundo, o retrospecto não se atreveu a entrar na água. Quase quatro anos depois do último encontro, Kelly Slater deu o troco em Andy Irons e venceu o seu maior adversário pela terceira vez em oito confrontos. O palco foi Teahupoo, uma das ondas mais perigosas do planeta. E o americano, tri da etapa disputada naquele pico e eneacampeão mundial, mostrou que pode ser tão cruel quanto a praia taitiana. Por 0,03 pontos - 14,00 a 13,97 -, mandou o havaiano para a repescagem. Coadjuvante, o taitiano Heiarii Williams também caiu.
Kelly Slater nas ondas de Teahupoo na bateria em que eliminou Andy Irons (Foto: Divulgação / ASP)
- Acho que o Slater vai ganhar o campeonato mundial e depois dar adeus às competições - dizia Irons, tricampeão mundial, na véspera do confronto.A última vez que eles estiveram em uma mesma bateria foi no dia 14 de dezembro de 2006, com uma virada épica de Irons na decisão em Pipeline. Em Teahupoo, era o primeiro encontro. Para o americano, uma vitória significaria não só o troco, mas um importante passo para tentar voltar à liderança do ranking, posto que perdeu na última etapa, em Jeffreys Bay, para o sul-africano Jordy Smith.
Andy vinha de um bom resultado na África do Sul. Na estreia, mandou o potiguar Jadson André – campeão do terceiro desafio do ano, em Imbituba (SC) - para a repescagem. Mas o havaiano acabou parando nas oitavas, coincidentemente, diante do carrasco de Slater.
Depois de uma semana de folga, Slater quis se antecipar nesta segunda-feira. Vestiu a camiseta vermelha, pegou sua prancha e saiu do barco onde estava dez minutos antes do fim da nona bateria, uma antes da sua. Ali, na "arquibancada" dos surfistas, viu o australiano Taj Burrow levar uma virada no fim, do português Tiago Pires. Minutos depois, Andy Irons, de branco, e Heiarii Williams, de preto, se juntaram a Slater. Os três ficaram ali, vendo tudo, quase como amigos.
A onda de Teahupoo, que tanto assusta, é, para Slater, sinônimo de boas lembranças. A última de suas três vitórias por lá teve direito a duas notas 10,00 na final, feito único no Circuito Mundial. Comemorou, ainda na onda, com uma lata de cerveja na boca.
Quando a buzina enfim tocou, Slater pegou a primeira onda, uma onda lenta, mas que permitiu que ele desse duas rasgadas e ganhasse 6,50. No oitavo minuto, mais uma boa direita para o americano. Desta vez, um tubo e uma nota 7,50.
Heiarii ameaçou com uma nota 8,17. E Irons, com 6,00 e 3,77, se manteve na briga. Precisava de 8,00 para virar.
A 12 minutos do fim, Slater pegou uma onda, fraca, e Irons entrou na que vinha atrás. Conseguiu um belo tubo e bateu na trave: 7,87. Buscava agora uma nota 6,03. Teahupoo, porém, não quis dar uma ajuda. E equilibrou um pouco o tira-teima entre os dois maiores surfistas do mundo.
Duelos Slater x Irons:
2000 - Pipeline, Havaí – terceira fase - Andy Irons
2002 - Hossegor, França – semifinais - Andy Irons
2002 - Pipeline, Havaí – primeira fase - Kelly Slater
2003 - Pipeline, Havaí – final - Andy Irons
2005 - Jeffreys Bay, África do Sul – final - Kelly Slater
2005 - Chiba, Japão – final - Andy Irons
2006 - Pipeline, Havaí – final - Andy Irons
2010 - Teahupoo, Taiti - primeira fase- Kelly Slater
Baterias do Mundial de Teahupoo:
1. Damien Hobgood (EUA) 10,07, Jay Thompson (AUS) 1,83, Kekoa Bacalso (HAV) 1,00
2: Luke Stedman (AUS) 10,33, Nate Yeomans (EUA) 8,83, Jadson André (BRA) 4,40
3: Jeremy Flores (FRA) 12,16, Marco Polo (BRA) 5,33, Bobby Martinez (EUA) 5,33
4: Blake Thornton (AUS) 15,55, Tom Whitaker (AUS) 12,00, Dane Reynolds (EUA) 11,60
5: Adriano de Souza (BRA) 9,66, Tim Reyes (EUA) 5,34, Roy Powers (HAV) 2,73
6: Joan Duru (FRA) 10,10, Bede Durbidge (AUS) 7,60, Kieren Perrow (AUS) 6,90
7: Tamaroa McComb (TAH) 14,77, Mick Fanning (AUS) 9,50, Adam Melling (AUS) 5,70
8: Jordy Smith (AFS) 14,30, Manoa Drollet (TAH) 10,40, C.J. Hobgood (EUA) 8,41
9: Tiago Pires (POR) 13,66, Taj Burrow (AUS) 11,40, Tuamata Puhetini (TAH) 10,43
10: Kelly Slater (EUA) 14,00, Andy Irons (HAV) 13,97, Heiarii Williams (TAH) 12,57
11: Adrian Buchan (AUS) 11,50 , Dusty Payne (HAV) 9,03, Drew Courtney (AUS) 0,20
12: Owen Wright (AUS) 11,27, Brett Simpson (EUA) 8,53, Neco Padaratz (BRA) 7,73
13: Fredrick Patacchia (HAV) 11,93, Matt Wilkinson (AUS) 11,46, Tanner Gudauskas (EUA) 8,43
14: Michel Bourez (TAH) 13,23, Dean Morrison (AUS) 9,00, Mick Campbell (AUS) 5,43
15: Luke Munro (AUS) 14,03, Travis Logie (AFS) 12,94, Taylor Knox (EUA) 9,93
16: Ben Dunn (AUS) 10,87, Patrick Gudauskas (EUA) 9,00, Chris Davidson (AUS) 7,90
Atleta das Ilhas Reunião leva o título do Circuito Mundial de Bodyboard
Amaury Laverhne é o campeão da temporada. Brasileira dispara na liderança
Das Ilhas Reunião, território de domínio francês, saiu o campeão do Circuito Mundial de Bodyboard 2010. Amaury Laverhne garantiu o título da temporada com a vitória na etapa de Sintra (Portugal), a sétima da competição. Para levantar a taça com antecedência, Amaury derrotou o espanhol Guillermo Cobo na final e faturou 8 mil dólares (cerca de R$ 13.500) e 2000 pontos no ranking.
Amaury Laverhne, o campeão mundial de bodyboard 2010, em ação na etapa de Sintra (Foto: Divulgação)
Entre as mulheres, a cearense Isabela Sousa venceu e disparou na liderança. Foi o segundo Grand Slam conquistado pela bodybarder no ano, que já havia vencido em Búzios (RJ). Com a vitória, ela garantiu mais 1.500 pontos no ranking mundial. Para chegar ao título, ela bateu a japonesa Miya Inoue na decisão. Com notas 8,25 e 6,00, a cearense não deu chances à adversária.
Os brasileiros Roberto Bruno, também do Ceará, e Lucas Nogueira, do Espírito Santo, acabaram eliminados nas quartas de final. No feminino, Karla Costa e Maylla Venturim foram eliminadas nas oitavas. O Circuito Mundial continua nesta semana. Os homens seguem para Ferrol, na Espanha, enquanto as mulheres permanecem em Portugal, competindo o Miss Sumol.

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